NY – Londres

30 Setembro, 2007

Tudo começou em Nova York…

Alexandre Herchcovitch conquistou os críticos americanos, mas me deixou com a estranhíssima sensação de que aquela era moda só pra olhar – não pra experimentar -, muito embora tudo parecesse bem usável. Vera Wang resolveu que ia passear na Roma Antiga e embarcou nessa viagem sozinha – porque quase ninguém entendeu muito bem o foco da coleção à primeira vista. Proenza Schouler copiou sem pudores os arquivos da Balenciaga by Ghesquiére, mas fingiu que não. Ralph Lauren festejou seus 40 anos de moda bem ao estilo nova iorquino (tanto a festa quanto a moda…) no Central Park e me hipnotizou. Michael Kors e sua modinha “sou rica e puro-sangue” entrou “numas” kitch. Narciso Rodriguez disse “olá” aos novos donos de sua grife (o holding Liz Claiborne) com um charme oriental e boyish – sem perder a classe. Oscar de la Renta mudou de cena, mas não de ares. Carolina Herrera não convenceu mesmo! Marc Jacobs correu na passarela e fez tudo de trás pra frente – depois fez com que todos corressem ao backstage pra saber o que havia acontecido ali! Recebeu críticas de todos os tipos de todas as partes e se tornou o “talk-of-the-town”. Calvin Klein se refez, quero dizer, se repetiu feito mantra durante todo o desfile e me fez sentir o cheiro de coleções passadas do Narciso Rodriguez e Jil Sander. Zac Posen exagerou (como sempre…). Donna Karan empalideceu (tanto no humor quanto nas roupas).

No final de tudo? Bem… no final de tudo não sobra nada de muito relevante. Pouca moda e muito hype. Pouca criação e muito disfarce. Ares rarefeitos… nenhuma emoção.

Mas devo fazer justiça à Marc Jacobs: para o bem ou para o mal ele foi o único capaz de abrir um novo debate. Que tipo de sexo é o nosso? Essa é a pergunta que todos tentam responder agora que estamos fartos de obviedades…

P.S.: Ainda sobre o Marc Jacobs: quando a moda produz mais que roupas, não vemos as roupas – o que não significa que elas não estejam lá. Então mesmo quando as desconstruções confusas na silhueta das mulheres do Jacobs não deixam explícito o que ele desenhou, é preciso olhar para os detalhes. Essa moda não é para USAR, mas para VESTIR – como boa moda deve ser. Savvy?

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